Tantas pessoas correm e lutam a vida inteira atrás
de um objetivo profissional. Muitas pessoas, nessa busca desenfreada pelo
sucesso, comprometem a própria saúde.
“Nessa cidade, ele acorda com os raios do sol na
janela e o som das buzinas na rua. Um rápido café da manhã, um beijo nas
crianças, chave do carro na mão... Mais um dia para correr para o escritório,
ou voar, se fosse possível. Enquanto os olhos visualizam sob o volante do carro
as ruas paradas, o trânsito lento, o sinal que acabara de fechar, a sua mente
está concentrada nos serviços que terá pelo dia, a reunião que precisará
participar, a sequência do novo projeto da empresa, as metas que precisam ser
atingidas. Resultados geram reconhecimento. Ao final do dia, muitas vezes este
profissional olha para o relógio e pensa: “precisava de mais tempo”. Trabalhos
são levados para casa, a velha pasta e o notebook são colocados no banco de
trás para acompanhá-lo para a hora extra, em casa. A finalização do
planejamento estratégico será concluída enquanto os filhos se preparam para
jantar... E, enquanto a esposa se prepara para dormir, ainda pode-se ouvir os
dedos dançando na calculadora da sala... e amanhã, mais um nascer do sol
surgirá, sem o canto dos pássaros, mas com as buzinas, novamente.”
Vendo esta cena, reconheço muitas pessoas, e em
alguns pontos, inclusive eu. Visualizo parentes, amigos, colegas experientes.
Pessoas que pelo trabalho, abandonam o lazer, os hobbies, os hábitos simples...
Deixam para depois a conversa com os filhos. Colocam em segundo plano a vida
com o cônjuge, o passeio de domingo, o jantar fora numa sexta-feira, a viagem
do final de semana... Meses se passam, anos se vão e o empregado dedicado está
progredindo profissionalmente a cada dia, mas as outras páginas da vida estão
caóticas. Na opinião dele está tudo “sob controle”. Na verdade todas as pessoas
viciadas e que recusam tratamento, não confessam o vício, tampouco a
dependência. Confessar que o trabalho é a sua principal razão de viver é demais
para um workaholic. O difícil não é a verdade em si, aliás até ele mesmo sabe
disso, mas confessar e assumir aos outros a realidade é penoso demais.
Workaholic pode ter várias traduções para a nossa
língua, mas as duas mais interessantes são estas: “pessoa extremamente dedicada
ao serviço” ou “burro de carga” (drudge). A ideia de burro de carga em minha
opinião é fantástica, porque encontramos diferenças para os dois tipos de
pessoas:
- Profissionais saudáveis trabalham, os doentes se acumulam com serviço.
- Os saudáveis possuem responsabilidades, os compulsivos levam fardos e cargas sobre os ombros.
- Os saudáveis respiram ar, os dependentes respiram serviço.
- Profissionais saudáveis sabem que estão sujeitos a queda e embora evitem o erro a qualquer custo, caso este aconteça, rapidamente se levantam. Os doentes tem um medo sobrenatural em fracassar, não se permitem uma 2ª chance.
- Profissionais saudáveis vivem. Workaholics tem insônia, surtos de mau-humor, reagem com hostilidade em momentos de pressão, perdem a saúde e entram em depressão pelo trabalho.
- Profissionais saudáveis são dedicados, alcançam metas, se adaptam a ambientes, reciclam ideias, obtém conhecimento, aprendem novas línguas, traçam metas, estão acima da média quando o assunto é liderança, inovação, comunicação e trazem grandes resultados às organizações que trabalham... Mas o principal é que eles possuem “vida” fora desse contexto. Já os viciados em serviço, possuem grandes responsabilidades, altos salários, grandes deveres, mas tudo está vinculado ao emprego em si. Pessoas assim morrem quando o emprego morre. Qualquer abalo que existir nesta vertente de trabalho comprometerá sua saúde, seu psicológico e sua própria vida.
Já convivi com workaholics e o mais triste é que já
perdi alguns queridos para esta doença. Pessoas doentes que desistiram da vida,
após uma depressão causada pelo trabalho e que se sentiram inúteis, culpadas ou
incompetentes. Que colocaram um ponto final na história devido uma frustração
nessa área profissional..
... E a cada dia que passa, mais me pergunto se o
que realmente traçamos como meta de vida deve ser realmente aquilo que a
sociedade nos impõe. Carro do ano, casa formidável, roupas e eletrônicos da
moda, realização profissional, muito dinheiro... Eu acredito que maquiamos
estas palavras para esconder o que realmente temos em nosso coração, isto é,
aquilo que realmente nos motiva: alta competitividade, necessidade pessoal,
ganância, ambição, cobiça, necessidade de provar aos outros algum tipo de
conquista ou desejo de vantagem em qualquer esfera da vida.
Se você conhece alguém que está passando por esta
dificuldade, estenda a mão, ajude, busque tratamento, medicações apropriadas. A
vida é muito mais do que holerites, certificados e diplomas, aliás no final da
vida, os papéis serão o que menos importarão no caixão e o que mais desejaremos
ter feito é realmente Viver.
Fonte de Pesquisa: Jéssica Rânelli.
Nenhum comentário:
Postar um comentário